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Não é porque sou criança que não sofro. Nem todos os meus sentimentos são besteiras. Não é porque tenho 7 anos que não sei o que é dor de verdade. Não é só porque estou chorando que estou de manha.

Quero gritar, chorar, expor o que penso. Queria uma família. Queria que a minha avó tivesse tempo pra mim. Queria ter alguém com quem brincar de carrinho. Queria não ter visto a cena em que meu pai matou minha mãe e logo após foi preso. Queria não ter sido molestado. Queria não ter motivos para pensar em morte… mas quem vai me entender? A quem tenho eu senão a mim mesmo?

Como dizem meus tios: só nasci para atrapalhar tudo. Eu sou uma droga! Eu não sirvo pra nada, senão dar trabalho. Quero poupá-los disso. Quero deixá-los feliz.

Tudo pra mim é desgraça. Não posso ir à rua com meus amigos para jogar bola, pois tenho que arrumar a casa. No dia das crianças, pedi um carrinho ao meu pai, mas tudo o que ele me deu foi uma blusa nova -daquelas listradas, que tem na prisão-, e ainda disse para eu não ser ingrato. Queria uma namorada, pra ir pra escola de mãos dadas com ela. Mas nem à escola eu vou.
Pensei que ter namorada era legal, mas meu pai me mostrou o que elas fazem. Mostrou na prática. Doeu. Foi nojento. Eu não quero mais ter uma namorada.

Eu odeio a minha vida. Ou eu morro ou eu vivo com a morte dentro de mim.
Mas… o que é mesmo a morte?
Lembro-me que um dia minha mãe me falou que depois que morremos íamos a um lugar lindo… no céu. CARACA! No céu.. eu nunca cheguei nem perto. Ela também me disse que lá não havia sofrimento, mas sim uma paz inexplicável. Mas ela me disse que é só depois que a gente morre… sabe, é pra lá mesmo que eu quero ir.

Minha inocência perdida, ah! Pai, meu monstro. Eu ainda te amo, mas odeio lembrar de tudo o que você fez. Só te perdôo pois sei que enviastes minha mãe a um lugar perfeito… sei que não foi por mal. Pelas coisas que foi comigo.. bom, eu devo mesmo merecer. Sou um péssimo filho.
Pra onde vai minha alma eu não sei. Minha mãe um dia me explicou uma coisa dessas mas eu não me lembro muito bem… eu acho que estou acorrentado à minha própria alma.
Meu sangue… nele que eu me afoguei.

Gritos:  “Socorro! Salve-me do perigo que é viver.. eu não aguento mais isso. Alguém me ajuda. Quero ser feliz…”
Silêncio…

Só quero matar minha dor. Não chorem. Não me enterrem. Não quero deixar marcas em um mundo que nunca me notou. Chega de palavras, pois estas também irão se perder com o tempo.

Eu amo todos vocês,

Ass: a ovelha negra da família

Solidão tem corpo
braço e perna
e me mostra
a janela.

Sim, escrito por mim. Apenas quis narrar no papel de uma criança, embora tenha ficado forçado.

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